SISU
Presidiário é exemplo de superação
Jovem detento conseguiu ser aprovado em Matemática na UFRPE
Henryton Klystenes Ribeiro Bezerra, 24 anos, poderia chamar
atenção das pessoas apenas pelo nome exótico, mas apesar de jovem a
escolha feita para sua vida é que se destaca. Na última segunda-feira,
ele recebeu uma das melhores notícias de sua vida. Ele foi aprovado no
Sistema de Seleção Unificada (SiSU), com a nota 698, em primeiro lugar
entre os apenados do sistema carcerário de Pernambuco que fizeram a
inscrição e o sétimo colocado geral no curso de Licenciatura em
Matemática, da Universidade Rural Federal de Pernambuco (UFRPE). Até
agora tudo seria comum. Tudo, se Henry, como é chamado carinhosamente
pelos amigos, não fosse um dos 2,5 mil detentos do Presídio de Igarassu,
localizado na cidade do mesmo nome.
Recluso há seis meses onde cumpre pena por assalto, cometido no
município de Aliança, ele se destaca no meio da população carcerária
pelo bom comportamento, que o levou a trabalhar na secretaria da
unidade. Em 2012 a convocação feita pela diretora da Escola Dom Helder
Camara, Vilma Marques, cuja unidade funciona dentro da unidade
prisional, para formar um grupo de estudo preparatório para a prova do
Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), reascendeu em Henry a vontade de
tentar uma vaga na universidade. “Fizemos um grupo de estudos e cada um
ensinava a matéria que tinha mais afinidade. Eu sempre gostei muito de
matemática e dava aula de reforço no meu bairro”. A nota de Henry também
dava para entrar no curso de Jornalismo da Universidade Federal da
Paraíba, mas ele preferiu a licenciatura.
Henryton Klystenes, 24 anos, tirou o primeiro lugar entre os presos do Estado
Ele conta que a rotina na prisão é parecida do que ele chama de “a vida
lá fora” e que disciplina é essencial para conseguir o objetivo. “De
segunda a sexta trabalho das 8h às 16h. E durante a preparação para as
provas nos reuníamos das 17h às 20h30, de segunda a sábado
religiosamente, só não estudávamos no domingo, devido à visita e para
descansar também”, conta. A empolgação do grupo fez com que a diretoria
fosse buscar material para dinamizar os estudos. Além de abrir as portas
da biblioteca da escola prisional também foram dados vídeos-aulas e
provas anteriores do exame.
Dos 17 detentos que participaram do grupo de estudos, todos foram
aprovados no Enem, oito obtiveram nota suficiente para participar do
Programa Universidade Para Todos (Prouni), e outro está esperando ser
chamado na segunda classificação do SiSU. A boa performance rendeu ao
grupo uma premiação dada pelo diretor do presídio, Carlos Cordeiro.
As aulas de Henry só começam no segundo semestre e provavelmente ele estará livre. “Em abril sai minha sentença para o regime aberto. E quando sair daqui meu único foco será os estudos”, garantiu. Em relação ao preconceito que pode sofrer por ser ex-presidiário ele diz estar preparado. “Eu sei que posso sofrer preconceito quando sair daqui, mas queria que as pessoas entendessem que cometi um erro, como muitas pessoas cometem, mas que o fato de estar aqui eu já estou pagando pelo erro. Com os meus estudos quero servir de exemplo”, enfatizou.
Na unidade prisional, nas horas vagas ele se diverte realizando cálculos, lendo livros e estudando línguas. Henryton aprendeu sozinho, inglês, espanhol, francês, alemão e tcheco, habilidades confirmadas pela diretora da escola do presídio. Quando acabar a graduação ele pretende fazer mestrado e um concurso público para agente prisional e trabalhar no local onde cumpriu pena. “A sociedade não deve desacreditar na capacidade de recuperação e arrependimento de um detento. Todos estão aptos a ressocialização. E caso eu sofra algum preconceito eu vou superar e não vou perder meu foco”, finalizou.
Laila Santana/Folha de Pernambuco
As aulas de Henry só começam no segundo semestre e provavelmente ele estará livre. “Em abril sai minha sentença para o regime aberto. E quando sair daqui meu único foco será os estudos”, garantiu. Em relação ao preconceito que pode sofrer por ser ex-presidiário ele diz estar preparado. “Eu sei que posso sofrer preconceito quando sair daqui, mas queria que as pessoas entendessem que cometi um erro, como muitas pessoas cometem, mas que o fato de estar aqui eu já estou pagando pelo erro. Com os meus estudos quero servir de exemplo”, enfatizou.
Na unidade prisional, nas horas vagas ele se diverte realizando cálculos, lendo livros e estudando línguas. Henryton aprendeu sozinho, inglês, espanhol, francês, alemão e tcheco, habilidades confirmadas pela diretora da escola do presídio. Quando acabar a graduação ele pretende fazer mestrado e um concurso público para agente prisional e trabalhar no local onde cumpriu pena. “A sociedade não deve desacreditar na capacidade de recuperação e arrependimento de um detento. Todos estão aptos a ressocialização. E caso eu sofra algum preconceito eu vou superar e não vou perder meu foco”, finalizou.
FONTE FOLHAPE.

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